Corpo escrito
terça-feira, 11 de agosto de 2009 |
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Meus livros são escvritos soltos, assim como aquelas folhas que caem das árvores. Já escrevi vários deles, mas não tenho nenhum publicado, até pelo modo inconvencional que são escritos.
Eu escrevo nos corpos das putas, nos guardanapos de bares, no gesso da perna do meu filho, no ventre grávido de minha esposa, em qualquer coisa que eu ache por aí.
Meus best-sellers são escritos em folhas secas de mangueiras.
Minha angústia é trancrita nas abas das páginas do jornal, minha traição no corpo da amante, meu carinho ao redor do machucado do meu filho ou na gravidez de minha esposa, meu passar do tempo no verso de fotografias, a minha filosifa se perdeu no verso dos livros, mas cores das telas de pintura.
Eu escrevo em tudo, Vejo um mundo cheio de histórias e cada pessoa é uma parte da narração.
Tenho as mãos cansadas de tanto escrever e minha esposa o ventre machucado, minha amante, as pernas e as putas, os seios.
Tenho um baú cheio de escritos em fotografias e fotografias de escritos. Tenho meu best-seller quase pronto no corpo das minhas alunas espalhadas por aí.
Tenho a vida tatuada com palavras vãs.
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Desculpe meu coração
quinta-feira, 23 de julho de 2009 |
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O dia está frio, não tanto quanto as noites que se passaram e não sei bem se devo dizer que essas noites foram em vão. As noites que passaram me parecem uma eternidade da qual não preciso, não preciso de eternidades vazias, bem como não preciso mais sofrer. Isso se chama superação.
Superação dos meus erros maléficos, dos meus erros mortais, meus pecados imortais, mortos há tantos anos atrás.
Gritante dor, vazio, morte, rapidez. Parecem-me boas palavras para deixar nosso pequeno romance veranista sucinto, um amor de verão sem eira nem beira, atrevo-me a dizer que foi um amor morto e que sequer deixou vestígio depois que perpassou a mente, sequer apareceu em meu coração. O nosso romance foi em vão, como tantos outros, aborto da natureza.
Tristeza, tristeza que mora aqui no meu peito indefeso e machucado, mas não por causa desse romance veranista. Hediondo, sadomasoquista. Delirante, deliberante.
O seu amor serviu para nós dois, o meu amor não passou de uma gota de piedade. Que maldade, maldade da superação, maldade do meu coração sem razão que lhe machucou e agora zomba de ti. Meu coração é tão guri. Nem consegue distinguir o amor verdadeiro do amor transeunte, nem consegue distinguir ao sair do peito um coração. Não consegue, não. Não consegue vê-lo partir, exaurir e se destruir por um amor assim, sem fim. Que agora eu caçoo, desculpe caçoar do nosso amor de verão, desculpe ter lhe destruído o coração.
Agora pesando bem, vejo que nada foi em vão. Vejo que ainda há no meu coração uma ponta de paixão perdida que me impede de caçoar do seu amor e pede perdão pelo fim de uma paixão que prometeu ter para a vida, prometeu que nunca iria se exaurir. Desculpe meu coração que ele é uma pode até aqui de mágoas.
Desculpe meu coração.
Desculpe-me, meu coração.
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Da Morte Lenta
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 |
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Seus dedos longos e finos tocavam a parede arranhada do quarto, o papel de parede tinha buracos e já começava a se decompor, ele estava deitado na cama, a cama que o acolheu, onde dormiu enquanto vivia nas casa dos pais e a qual voltava hoje para morrer, a qual o tivera desde as primeiras vezes que dormiu sozinho, passando pela sua primeira vez, até seu derradeiro último dia.
Lá ele estava deitado a fumaça enchia o quarto fechado, as labaredas de fogo lambiam os pés da cama e ele podia sentir o calor do fogo diretamente sobre si. Queria sair dali, mas sabia que já era impossível, mas por um lado se sentia bem, por estar realmente vivendo agora, enquento morria, se é possível tal paradoxo.
A cama cedeu, caiu por terra, ele sentiu o baque, não moveu um dedo sequer, a dor que suportaria em poucos segundo seria muito pior, seria a dor da morte e como dói a morte nesses casos, ela nem é tão lenta, mas é muito dolorosa.
Seu corpo começou a esquentar, e de repente a combustão. A dor se é infinta quando multiplicada apenas por dois, então a dor desse homem foi infinita, pois tinha a dor do viver, da qual já sofria muito e a dor do estar, do estar ali, a morrer.
Dói quando queremos que doa e ama-se quando Deus bem entende.
Marcadores: contos, devaneio
Seja o que for
"Onde queres o ato, eu sou o espírito
e onde queres ternura, eu sou tesão.
Onde queres o livre, decassílabo
e onde buscas o anjo, sou mulher.
Onde queres prazer, sou o que dói
e onde queres tortura, mansidão.
Onde queres um lar, revolução
e onde queres bandido, sou herói"
Caetano
O blog
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porque "o que obviamente não presta
sempre me interessou".
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Soneto de Fidelidade
"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."