Conto de Fadas
segunda-feira, 18 de julho de 2011 | Opine aqui

"Perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança"
CAIO FERNANDO ABREU

PARTE I
Música pop para os nervos, meio jazz, qualquer coisa que estiver tocando na jukebox mais próximas, um copo de whisky e meus pensamentos. Talvez eu tenha perdido minha essência entre tantas idas e vindas, nessas bricadeiras do destino. Talvez eu não tenha lutado o bastante por mim mesmo. esses pensamentos que vem agora não têm serventia alguma: quase choro relembrando camas desfeitas, mãos dadas ao pôr-do-sol. Quase não acredito em mim mesmo: aqui, perdido, sentido, curtido da vida, relembrando coisas que já não ajudem em nada, ilusões perdidas. Talvez no meio do meu caminho tivesse uma pedra e talvez eu nunca tenha conseguido removê-la de lá, aguardo paciente, choro de vez em quando frente à minha impotência. Todos os dias me pergunto em frente ao espelho se tenho futuro, espelho, espelho meu, não há respostas. Talvez eu esteja mesmo perdido, nada mais. Ainda há tempo para sorrir, ainda dá tempo pra sentir, ainda dá tempo de tomar mais algumas doses desse whisky vagabundo, cheirar umas carreiras e sair pela noite para encontrar qualquer amor de uma noite só que parta sem fazer barulho na manhã seguinte, antes de eu acordar.

PARTE II
O que? Se eu ainda procuro o amor? Meu senhor, eu já desisti dessa ilusão faz muito tempo. Amar é sofrer. O que eu procuro é felicidade, isso sim. Mas não dá pra ser feliz sem o amor, não dá pra amar sem sofrer. Não dá pra ser feliz sem sofrer, mas sofrer nos faz infeliz. É, talvez eu ainda procure amor. Porque talvez eu nunca encontre felicidade. Ah, não, não me refiro a felicidade no fundo desse copo, na próxima carreira, procuro felicidade que dura, que seja minha e não inventada, talvez eu procure algo que não existe. Porque já perdi a ilusão de príncipe encantado, o sapatinho de cristal não vai servir. Eu sou a irmão má. Talvez também é porque eu continue indo pelo caminho que a mamãe disse que era perigoso. E é. Tudo tão escuro. Seu lobo já vem. E eu? To pouco me lixando, se eu conseguir encontrar por aqui aquela felicidade fingida que falei to satisfeito, já compensa a constante solidão e o constante abandono. E sabe porque não me importo? Porque não tem vovózinha dessa vez. Sou eu e eu mesmo. Não tem lenhador bonzinho. Luto todos os dias com o lobo e quando eu perder é meu fim, sem volta. Sem volta. Por isso já desisti de tudo, porque aprendi que os contos de fadas não existem, que eu to perdido e que ninguém vai vir me ajudar. Desisti porque aprendi que espelho, espelho meu existe sim alguém mais bonito do que eu.


Seja o que for
"Onde queres o ato, eu sou o espírito e onde queres ternura, eu sou tesão. Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo, sou mulher. Onde queres prazer, sou o que dói e onde queres tortura, mansidão. Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido, sou herói" Caetano

O blog
Para Jéssica,
porque "o que obviamente não presta
sempre me interessou".

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Soneto de Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."