Porralouca inconseqüente
terça-feira, 2 de março de 2010 | Opine aqui
"Como pode alguém ser tão demente, porra louca
inconsequente e ainda amar, ver o amor
como um abraço curto pra não sufocar
ver o amor como um abraço curto pra não sufocar"

Olho os dias passarem pela janela, rapidamente, olho nos olhos da garota. E com um olhar me apaixono e agora que a olho de cima a baixo eu me apaixono mais, ela é linda. Pena que minha mente pequena esteja travada, que eu seja um otário e não tenha coragem de ir lá falar com ela. Pena que nem quando bebo reúno a coragem suficiente. E não me animo, não me animo a dizer que acho ela linda, que acho ela simplesmente perfeita. E não tenho coragem de tirá-la para dançar ou tascar-lhe um beijo do nada. E com meus trejeitos e minha aparência ela também não me procuraria. Mas o meu coração sente a "dor" de repressão que o faço sofrer.
E o que diria, o que diria para ela que nem tem olhos para mim? Diria que estava olhando os dias passarem na janela quando ela passou? Diria que a amava?
Eu preciso de certeza para lho dizer. O medo que me toma cada vez que vou fazê-lo é tanto que não sei como posso ser tão idiota. Amar é fácil na teoria, difícil na prática, ainda mais se você é um demente, porralouca inconseqüente que ainda se atreve a amar.

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Corpo escrito
terça-feira, 11 de agosto de 2009 | Opine aqui
Meus livros são escvritos soltos, assim como aquelas folhas que caem das árvores. Já escrevi vários deles, mas não tenho nenhum publicado, até pelo modo inconvencional que são escritos.
Eu escrevo nos corpos das putas, nos guardanapos de bares, no gesso da perna do meu filho, no ventre grávido de minha esposa, em qualquer coisa que eu ache por aí.
Meus best-sellers são escritos em folhas secas de mangueiras.
Minha angústia é trancrita nas abas das páginas do jornal, minha traição no corpo da amante, meu carinho ao redor do machucado do meu filho ou na gravidez de minha esposa, meu passar do tempo no verso de fotografias, a minha filosifa se perdeu no verso dos livros, mas cores das telas de pintura.
Eu escrevo em tudo, Vejo um mundo cheio de histórias e cada pessoa é uma parte da narração.
Tenho as mãos cansadas de tanto escrever e minha esposa o ventre machucado, minha amante, as pernas e as putas, os seios.
Tenho um baú cheio de escritos em fotografias e fotografias de escritos. Tenho meu best-seller quase pronto no corpo das minhas alunas espalhadas por aí.
Tenho a vida tatuada com palavras vãs.

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Desculpe meu coração
quinta-feira, 23 de julho de 2009 | Opine aqui
O dia está frio, não tanto quanto as noites que se passaram e não sei bem se devo dizer que essas noites foram em vão. As noites que passaram me parecem uma eternidade da qual não preciso, não preciso de eternidades vazias, bem como não preciso mais sofrer. Isso se chama superação.
Superação dos meus erros maléficos, dos meus erros mortais, meus pecados imortais, mortos há tantos anos atrás.
Gritante dor, vazio, morte, rapidez. Parecem-me boas palavras para deixar nosso pequeno romance veranista sucinto, um amor de verão sem eira nem beira, atrevo-me a dizer que foi um amor morto e que sequer deixou vestígio depois que perpassou a mente, sequer apareceu em meu coração. O nosso romance foi em vão, como tantos outros, aborto da natureza.
Tristeza, tristeza que mora aqui no meu peito indefeso e machucado, mas não por causa desse romance veranista. Hediondo, sadomasoquista. Delirante, deliberante.
O seu amor serviu para nós dois, o meu amor não passou de uma gota de piedade. Que maldade, maldade da superação, maldade do meu coração sem razão que lhe machucou e agora zomba de ti. Meu coração é tão guri. Nem consegue distinguir o amor verdadeiro do amor transeunte, nem consegue distinguir ao sair do peito um coração. Não consegue, não. Não consegue vê-lo partir, exaurir e se destruir por um amor assim, sem fim. Que agora eu caçoo, desculpe caçoar do nosso amor de verão, desculpe ter lhe destruído o coração.
Agora pesando bem, vejo que nada foi em vão. Vejo que ainda há no meu coração uma ponta de paixão perdida que me impede de caçoar do seu amor e pede perdão pelo fim de uma paixão que prometeu ter para a vida, prometeu que nunca iria se exaurir. Desculpe meu coração que ele é uma pode até aqui de mágoas.
Desculpe meu coração.
Desculpe-me, meu coração.

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Acalanto
quinta-feira, 2 de julho de 2009 | Opine aqui
Escrevendo assim nem lembro o que era pra falar. Amor, vida, morte, morte, amor.
Escrevendo assim parece estranho, parece... supenso. Como se isso nem tivesse uma finalidade e fosse mais uma obrigação, escrevendeo assim a idéia parece inútil, parece uma sina.
Assim as coisas parecem difusas no tempo, no tempo em que eu ainda escrevcia coisas bonitas, mas com uma certa inexperiência, e quando adquiri essa experiência já não preciso mais dela.
E tudo agora prarece mais difuso e distante, em algum ponto do passado eu parei de gostar de tudo que eu fazia e passei a me dedicar a coisas novas, que algum dias vão se tornar velhas e vão ser substituidas como tudo na minha vida, eu substituo cada momento, cada olhar, tento reviver, cada dia como se fosse aquele, e as coisas nunca saem iguais, nunca, nunca, nunca.
E tudo se torna um ciclo vicioso, em que eu procuro reconquistar pessoas e as afasto cada vez mais, mas é assim que eu preciso reconstruir minha "rede social", prefiro não estar só, para não repetir momentos só. Prefiro viver a recuperar amizades, mas procuro recuperá-las para viver.
Mas mesmo assim ainda mes sinto só, um vazio em minh'alma que parece estar fora do padrão. Qualquer dia me torno um borderline.
De qualquer jeito minhas novaz amizades não legais, meus novos amores, minha nova vida me tornou novo, só novo.
Preciso de um acalanto qualquer, uma mão acolhedora, um carinho em minh'alma, uma acalanto, aclanto, acalanto.
Acalanto.

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Faz parte do meu show
terça-feira, 10 de março de 2009 | Opine aqui
Eu morri.
É estranho, mas é bom, é estranho porque é bom. É como estar em um show, quem se apresenta? A vida. Ela está lá, em cima do palco mas você não pode tocá-la, não pode chegar perto. E todos os mortos ficam só olhando, sem poder chegar algum dia parto do viver denovo.
Depois de amá-la e odiá-la e destruí-la por fim, queremos ela novamente, depois de tão mlatratada por nós. E cada um vê a vida como quer, como pensa ser, uns a vêem fraca e raquitica, ums vêem forte e rodusta. Feliz. Eu a vejo como eu, como cada um e como todos. Eu vejo a vida com inveja, por não poder chegar lá, chegar denovo nela. E amá-la e odiá-la e destruí-la, colocá-la na lama e arrasá-la. poder fazer tudo denovo. E faria, passo por passo. Nunca me arrependi de nada.
Nem de amar, amar demais.
E é amar demais que me tornou o que eu sou, mais um espectador morto, mórbido no show da vida, no dance, na boate, na noite, ela se espalha, cada dia num lugar, cada local por hora, e amando e sendo amada, e se exibindo, e sendo inveja. Essa é a vida, senhores.
Bem-vindos ao show.

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1234
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009 | Opine aqui
Os seus olhos da cor do mar, a sua boca vermelha como o sangue e seus cabelos negros caidos sobre os ombros a faziam a pessoa mais bonita que eu já havia conhecido. Faziam que os meus olhos parecem um fraco azul celeste, meus cabelos claros demais e minha pele sem nenhuma cor. Ela era a coisa mais linda existente para mim. Ela era meu amor.
Só que toda alegria se findou, findou-se ao partir dos vidros, ao cair no chão, ao despedaçar.
Naquele tarde entrei na casa, sé é que podia chamar aquilo de casa, os sofás rasgados, velhos, atirados em um canto, os armários com as portas caindo, todas abertas, as luzes que se estilhaçaram no chão. A briga. Mas por que  a minha menina, por que o meu amor?
Alguém que ele devia ter provocado, alguma coisa que os desagradou, e lá estava o seu corpo no meio da sala, frágil, pequeno, cheio de sangue. O corpo, que já nem parecia minha amada. Semi-morto me olhava, me olhava como seu eu fosse a salvação, como se eu fosse o salvador. E eu não era.
A peguei em meu colo  e tirei o cabelo de seu rosto, era mais pavoroso do que eu pressentia. Ela, antes a mais linda das criaturas, estava tenebrosa, seu maxilar quebrado, seus olhos vermelhos, seu nariz quebrado, enfim tudo muito doloroso, para mim.
E ali mesmo, nos meus braços disse suas últimas palavras: "Eu te amo, mas me diga que você me ama mais" e eu disse, que eu amava ela mais, mais do que tudo, o meu amor era o maior do mundo e que por toda minha vida eu sabia que ia amá-la.
E então ela se foi, ali, poéticamente, em meus braços, o sangue que corria em minhas veias parou quando a senti gelar e me deixar, não podia ser assim, não queria assim.

Um corpo irrompeu da janela do apartamento 912, o corpo que caia era o meu, o suicidio me ocorrera. Não conseguiria viver sem ela nunca e por isso quis morrer. Olhei para o céu e lá se encontrava meu porto seguro, lá se encontrava o fim.

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Valsa Brasileira
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Dias depois ainda me encontrava lá, no mesmo quarto de hotel, na mesma cidade. Dias depois ainda estava parado pela falta de fé, dias depois fiquei, dias depois senti, dias depois perdi.
Perdi a fé, o amor, o pudor, a mocidade, a felicidade, alegria. Não cabiam mais sorrisos mais em meu rosto, não cabia mais nada no meu rosto. Minha expressão era de nada, enfim, lá no nada parado é que eu estava mesmo. Eu estava lá como estive em toda a minha vida, parado, assim, sem passado ou futuro. Sem a fé.
Eu não tinha mais desejos, ou nojos, eu tinha agora era um constante vazio ao meu lado prostrado, ele é que fazia meus dias, minhas noites, meu nada. O meu vazio fazia meu nada.
A fé que perdi foi na vida, na descrença do crente, no amor, nela. Eu derrotado estava lá naquele quarto de hotel, eu detonado estava aguentando isso tudo, eu corno estava só no quarto de hotel, enquanto ela saia com outro, enquanto ela dormia nos braços de outro e eu, eu o sem nome, o vazio, eu estava lá. Ela saia com um Jorge Maravilha enquanto eu sofria, sorvia as dores do amor. O desamor era terrível.
Sentir as entranhas  se esplodindo dentro de você é horrivel, sentir ela sair pela porta que bate é terrível. Sentir é terrível. Por isso não sinto mais.
Só sinto as agulha de vitrola tocando a "Valsa Brasileira".

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11 minutos
sábado, 24 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Onze minutos. Tudo que lhe pedi foram onze minutos, não dez ou sequer 12. Foram onze.
Jurei-lhe quem em onze minutos explicaria tudo, mostraria e esconderia novamente e a faria ficar comigo, troquei onze minutos pela minha vida. E agora os onze minutos se foram e eu continuo aqui, parado. Estático.
Os onze minutos que rezumiriam foram um fracasso, a profundidade da explicação não a abalou, me deixou, depois de onze minutos, depois de onze minutos de tensão e de amor puro. Despois de onze minutos vi a morte, depois de onze minutos morri.
Minha vida não passava agora de um cubo nas trevas, e eu, que estava soterrado até o pescoço pelos onze minutos, fico dentro dele. Eles acabaram e a levaram, eles acababaram e me levaram, os onze minutos não serviram de nada.

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Sem Palavras
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Senti o frescor de sua pele tocando na minha. De sua pela clara e macia, Uma receita de mulher, como dirira Vinicius. Ela era perfeita. E eu a senti, eu a tive. Sem palavras.
Sem palvras, os nossos braços se entralaçavam nas longas tardes nos parques, sem palavras, nas noites em que perdíamos a noção da hora, em que juntos jogávamos tudo fora. E voltavámos a ficar juntos.
Nas travessuras das noites eternas já confundimos juntos as nossas pernas, sem palvaras. Sentia seus braços no meu peito e fitava o teto, o amor tinha cheiro do seu cabelo, seu cabelo tão moreno quanto a noite, e seus olhos da cor de água brilhavam como dois sóis olhando para mim. Ela estava para mim como o amor está para a solidão.
Sentia seus dedos pequeninos tocarem em mim e estremecia, agora eu a tinha. Sem palavras. Sentia ela toda e agora eu a tinha. Sem palavra. Agora ela era a minha "morena dos olhos d'água". 
Quando estavamos nas tardes perdidas do passado ela sentava-se em meu colo e olhavamos o horizonte, que se estendia infinitamente, ia até onde não mais se podia ver. Os campos verdes que nos cercavam e a laranjeira sobre nós, tudo era perfeito. Tudo sem palavras.
O amor era lindo, as noites lindas, tudo prerfeito, sem palavras.
Sem palavras.

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78 Rotações
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Entrei na velha casa, com certeza ela precisava de reparos, não muitos, mas precisava. Sentei-me no sofá vermelho claro com detalhes em dourado, a vitrola antiga, com uma pequena caixa de som do lado, os tapetes grandes e quase sem cor. Dirigi-me a vitrola e coloquei um 78 rotações pra rodar. Fui pra sacada e lá fiquei, meu apart-hotel era na orla de copacabana, olhei o céu escuro salpicado de estrelas e o mar iluminado pelos holofotes. 
Elizeth cantava entre os arranhões do disco e eu ouvia sua voz saindo da pequena caixa de som. Ouvia como quem ouve da primeira vez, com os primeiros olhos. Mesmo perto a praia agora parecia distante, eu estava perdido, não sabia onde acabava o céu e onde começava o mar. 
Fiquei lá, tentando descobrir onde findava um dia e começava outro, onde findava  tarde, e começava a noite, a manhã se aproximava e lá continuava a olhar o nada da escuridão do céu.
Senti a leve brisa marítma tocar meu pescoço como uma mulher que acaricia seu parceiro. Eu era o  parceiro da noite, eu era parceiro da vida e todas as noites ia ao bar, Antônio Carlos no piano e Billy cantando enquanto todos ouvindo atentos as canções de Canção do Amor Demais. 
E assim que a vi, estranhei: uma mulher, entrando na água, ela usava algo parecido com um vestido, olhou para mim e despareceu, assim simplesmente, não a vi mais, vão vi o nada, porque o nada era ela, assim como eu, era um nada.
E então ela estava do meu lado e não estava mais, estava perto e estava longe e me olhava com os olhos ávidos, e a boca úmida e os cabelos esvoaçantes. 
Ela era minha nova companheira, enfim, compreendi. Era a que ia me acompanhar para a aternindade. Ela era a pessoa que iria me ver e me cuidar para sempre.
Ela era a morte.

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Cálice
domingo, 18 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Estava lá faziam três meses, as paredes altas, o teto encaridido, a cama que nem cama parecia e a porta. Uma porta de metal, reforçada, grossa. Estava lá esperando, esperando cada dia uma nova tortura, cada dia um inferno. A lâmpada que pendia do teto era velha, empoeirada, e tinha um aspecto bem suspeito. Esssa era minha vida nos dias da ditadura militar. Esperando cada dia a tortura e a comida, que nem sempre vinha, e quando vinha era péssima.
Então a porta se abriu e "algo" foi jogado no chão. Ou melhor, uma mulher. Depois de uma seção de tortura ela estava imunda, os cabelos negros estavam molhados e a o rosto empapado de sangue. Susas pernas tinham cicatrizes de chicotes ou algo parecido. perto do seu sexo haviam marcas que pareciam ter sido feitas por choques elétricos. Sem dúvida aquela mulher estava pior que eu.
Corri para pegar um camisa velha e pus-me a limpar seu rosto, seus cabelos, suas costas, seus seiso enfim, limpei-a toda. Quando acabei, ela, olhando para mim, agradeceu. Não sabia bem o que eu significava para ela naquela hora, mas tinha certeza que a tinha salvado.
Senti seu corpo se apoiando no meu e ela levantando, ela me olhando, ela me amando. Senti seus lábios nos meus e percebi que agora eu era um amante para ela. Percebi que de repente tinha arrumado alguém a quem amar. Que eu tinha salvado o amor. E segurei sua mão e olhei seus olhos, o azul do mar reinava neles. 
Ela estava deitada agora, a vida parecia estar por um triz. pareciamos não ser mais humanos, mas animais. Comecei a me odiar, desse dia em diante, porque ela e não eu? 
A tortura, me torturava todas as noites com os gritos e gemidos de celas vizinhas. Eu sentia a dor deles, eu sentia o amor deles, eu era a vida que eles não tinham mais. Esperava voltar a ser alguém, esperava não me sentir mais um bicho.
Esperava um um futuro. Esperava amar.

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Demais
terça-feira, 6 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Nada melhor do que um dia após o outro para percebermos quem somos e quem iremos ser. O dia é que me mostra quem somos e cada pessoa se expôe mais a cada dia pior. Ou melhor.
Ainda paira no ar um calor intensificado, do amor das pessoas que fingem, por ter acabado de passar o ano-novo.
As crônicas que escrevo ainda se referem ao novo, aos novos. À boa nova.
Sinto que hei de modificar os pensamentos esse ano, melhorar e ouvir. Ouvir mais o som que vem do fundo de minh'alma e começar a soltá-la. A largar de mão tudo que tinha antes. No auge dos meus recém-feitos 26 anos. Porque acho que cada ano-novo é um recomeço.
Novamente sou aquele garoto de 20 anos recém feitos, com um café e sentado a frente de um máquina de escrever e com 2 anos não completos de findados estudos. Penso agora onde foi ele e como em seis anos pude envelhecer tanto ao ponto de não me reconhecer mais, não me enchergar mais daquele jeito.
Certamente foi ela. Ela que me levou pro mau caminho e me fez machucar quem eu amava [maysa mode off/], me fez virar uma má pessoa. Espero o perdão que nunca terei, nem nunca daria à uma pessoa que só tivesse me feito sofrer. Mas sinto, e sinto que ainda sou aquela mesmo crinça nascida em 1950 que tinha as mão muito pequenas para segurar um chocalho. 

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Feliz Ano Velho II
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 | Opine aqui
Olhei o barquinho pequeno que ia embora, lá ia nosso filha, ia à guerra, preferia ter ido eu, mas não meu filho, nunca meu filho. Ainda mais um dia depois do ano novo, queria-o aqui conosco, festejando a chegada de um 1945 onde a guerra acabaria. Onde tudo voltaria ao normal e poderiamos festejar e dançar, e cantar.
Estava um saco morar na Alemanha, mesmo tendo o0lhos azuis e um cabelo tão louro quanto o ouro. Ver seu filho sendo educado na base de um nazismo besta e por um führer que não valia nada, eu queria sair dali, levando mu filho junto, sair daquele inferno, esse ano eu decidi, ia sair, mas agora acontecera isso. Ele foi embora.
Só o barquinho atravessando o rio naquele inverno de 44/45, e foi ali que eu o vi pela última vez.
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Personas, Feliz 2009! Espero que ele seja repleto de alegrias, amor, paz e pa pa pa. Quem sabe não poste por um tempo, mas quando sair eu deixo um aviso, até.
 

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Carta de Despedida
terça-feira, 30 de dezembro de 2008 | Opine aqui
Eu pulei, pulei do precipicio, sempre pensei no que pensar nos meu últimos 5 segundos de vida e me agarrei com todas as esperanças nesse pensamente, o suicidio, me agarrei no pesnamento de que agora não podia voltar atrás, que querendo ou não eu iria arder no inferno, Deus não perdoava suicidas, Deus era mau, pelo menos naquele dia, naqueles específicos 5 segundos. Os meu segundos de morte, os meus segundo de precedencia do inferno, e isso não me agradave nem um pouco, estar ali, sabendo do inferno, sabendo de mim.
Caí e no fim não fui a lugar nehum fiquei lá, só um corpo, que não tinha mais a alma, porque minha alma anda vagando por aí, nem sei onde, e quem sabe quelquer dia desses alguém a a ache e possoa finalmente pariti, pariti para o meu inferno de vida, para o purgatório. Passei meus últimos 10 minutos de vida escrevendo isso, recostado a uma pedra, espereo que quem achar isso me encontre também.
E possa me dar o fim descende que mereço, e não pense em contar de suicidio e dos meus 5 segundos, espero o fim digno e o fim está próximo.

Atenciosamente, Louis  

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Reflexo
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008 | Opine aqui
O meu reflexo sobre a água permanecia nitido e feroz, as minhas mãos tremiam com uma taça de champagne barato às mãos, as minhas costas estavam arquedas pelo tempo, pelo viver que me deixara assim, velho, inútil, eu estava me comportando agora como um inútil, sim, pois tudo à mim era feito, tudo que eu ainda tinha condição es de fazer e que eu mesmo podia tê-lo feito, eu sentia que estava me tornando um peso para a vida de muito outros. Me sentia apenas um refelxo por sobre aquela água suja de um lago.
As rugas que se viam naquele reflexo representavam cada ano que vivi aventuradamente, junto com Cecê, minha já falecida esposa, o velho que me olhava não era o mesmo do ainda jovem que olhava pra ele, lá na água. 
Ainda gostava de aventuras, ainda me faziam bem como o cheiro de Cecê, ou o cheiro das rosas perfumadas que ela plantava. Avistava pessoas ao longe, pessoas queridas, amigos, que guardei pelos anos, os inúmeros anos que me tiraram a juventude, ainda que tardiamente. Eles estavam felizes, eles pelo menos o pareciam, eu nem me importava mais, o que eu queria mesmo era estar agora ao lado de minha esposa e brincar com nosso filhos à varanda, mas a vida me impedia disso, o rumo que ela tomou me impedia, queria que Cecê me visse agora, indefeso e indiferente. 
Então enfim me tornei parte da água, ficaria lá, até que alguém viesse encontrar o meu reflexo num lago sujo.

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O Anjo Malaquias
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 | Opine aqui
Eu continuo a fingir que nada está errado, que uma xícara de café me agrada, que um chá muito quente não me queima a língua. Continuo a fingir que sou normal, que ninguém se diferencia de mim, procuro estar perto da socidade pra assim poder conseguir mais, procuro ser social. Mas tenho dificuldade, essa é a verdade, quando fecho os olhos a noite me vejo caindo de um precipício gigantesco, é isso que me separa do mundo, um precipício gigantesco. Eu não sou como todo mundo e esse é o problema, na verdade isso deveria ser uma qualidade, porém tento desesperadamante me meter dentro de um padrão. Mas o sistema é muito melancólico para mim, quero algo além disso, dessa vida que levo, quero algo além de tudo, masa algo que não se diferencia de cada um e de todos. Quero ser um rockstar, quero ter o sonho que todo mundo tem, quero ser mundano e não divino como eu sou.
Quero não ser o Anjo Malaquias.* 

*O Anjo Malquias de Mário Quintana

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Foi Por Medo de Avião
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 | Opine aqui
Belchior tocava num som distante na sala, cantava empregando toda sua voz, toda seu repique nas letras, eu estava lá sentado, vagamante pensava, pensava em como é vago o mundo, como não temos nada a perder se abrirmos uma porta e nos atirarmos do 5º andar.
Pelo menos eu não teria nada a perder, não, não teria, pois já perdido tudo tinha, e tinha perdido a coisa mais preciosa, eu tinha perdido um coração.
Meu coração era frágil e flácido, e ele se perdeu, na verdade quando a perdi, quando a conheci talvez, perdi ele para ela, num avião, numa classe normal, turbulências, e um aperto de mãos, uma vontade louca de senti-la perto, seu cheiro de flores, leve como a brisa que paira no ar, leve como só ela poderia ser.
Ela me levava, eu ia as alturas e não tinha medo de avião algum, pois estava aqui, aqui e lá. Lá junto com ela, nas alturas, no trampolim do sem-fim, além das magnólias e estavamos juntos, mas findou.
Ela findou, num recado, uma xícara de café, ruídos surdos, uma fugitiva na noite. E uma foto já gasta de um beijo roubado. E de um aperto de mão.
No rádio Belchior continuava a cantar:
"Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez a tua mão"

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Da Morte Lenta
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 | Opine aqui
Seus dedos longos e finos tocavam a parede arranhada do quarto, o papel de parede tinha buracos e já começava a se decompor, ele estava deitado na cama, a cama que o acolheu, onde dormiu enquanto vivia nas casa dos pais e a qual voltava hoje para morrer, a qual o tivera desde as primeiras vezes que dormiu sozinho, passando pela sua primeira vez, até seu derradeiro último dia.
Lá ele estava deitado a fumaça enchia o quarto fechado, as labaredas de fogo lambiam os pés da cama e ele podia sentir o calor do fogo diretamente sobre si. Queria sair dali, mas sabia que já era impossível, mas por um lado se sentia bem, por estar realmente vivendo agora, enquento morria, se é possível tal paradoxo.
A cama cedeu, caiu por terra, ele sentiu o baque, não moveu um dedo sequer, a dor que suportaria em poucos segundo seria muito pior, seria a dor da morte e como dói a morte nesses casos, ela nem é tão lenta, mas é muito dolorosa. 
Seu corpo começou a esquentar, e de repente a combustão. A dor se é infinta quando multiplicada apenas por dois, então a dor desse homem foi infinita, pois tinha a dor do viver, da qual já sofria muito e a dor do estar, do estar ali, a morrer. 
Dói quando queremos que doa e ama-se quando Deus bem entende.

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Das Almas Separadas
domingo, 30 de novembro de 2008 | Opine aqui
Naquele dia o céu mudou de cor, a terra estremeceu, tudo ficou entendiante, tudo ficou inquieto, e ele deixou dela e ela deixou dele. Largaram de mão. O casamento de 16 anos, a vida juntos e toda a felicidade de quem achou que o seu pra sempre nunca iria acabar se esvaiu.
A felicidade contida nas fotos da máquina Polaroid já usada, nos cartões postais e em todas as suas lembranças se foi, mas o céu ainda estva lá, ainda entre as estrelas e o chão exitia o mar, e estavam todos e tudo lá, a vida tinha de recomeçar, mas como?
Com a separação de almas, eles não podiam, se amavam, mas se amavam baixinho, em segredo, no silêncio, seu amor estava escondido, brincando de pega-pega, onde o pegador era o casamanto, esse que detruiu o seu esconderijo e o achou, acabou com tudo.
Mas tudo conspirava contra o amor, tudo conspira contra o amor, tudo os separava e a repugnância crescia dentro desse amor tão lindo, crescia como um tumor, uma doença maligna, e não havia droga que curasse isso, senão o próprio amor ou em possiblidades o reencontro, e nessa ciranda todos os sentimentos ganhavam vida, eles eram pessoas, pessoas reais, pessoas que sentem, e dentro do amor existe a felicidade mas o ódio também anda por lá.

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Memórias Póstumas
quinta-feira, 27 de novembro de 2008 | Opine aqui
Me restam os infindáveis lamentos contidos numa nota só de bossa nova se esvaindo no licor presente na minha sala, no whisky contido em meu corpo e nas bêbadas noites cariocas. Onde, nada compessa, mas tudo conspira a favor.
Compositor e boêmio, sentado noites em minha escrivaninha esperando a luz, a batida perfeita, o amor que proviria de mim com tanta fúria que saltaria pelos meus olhos e se espalharia pelo chão já puído sa sala.
Eperando a resolução de uma madrugada mal-dormida, adormeci e morri na mais doce solidão, no não ter ninguém, porque ninguém estava comigo, eu estava só e só eu não queria ficar.
Morri a escrever ("I know not what tomorrow will bring me" (quem conhece Fernando Pessoa sabe)) a morrer no efusivo amor dilacerado de Pessoa e de Moraes, morri em 80, mas boêmia não me faltava, era como se vivesse paralelo, como se o meu plano fosse outro, o de amar, beber e fumar acima de tudo, cair de beber com os amigos nas noites em Ipanema, no Rio.
Pensando em amar morri, na minha doce solidão morri, e essas são memórias póstumas de mim, essas são as marcas de minha existência que deixo, um texto garranchosos, escrito a beira da morte.

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Seja o que for

"Onde queres o ato, eu sou o espírito e onde queres ternura, eu sou tesão. Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo, sou mulher. Onde queres prazer, sou o que dói e onde queres tortura, mansidão. Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido, sou herói" Caetano

O blog

Para Jéssica,
porque "o que obviamente não presta
sempre me interessou".

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Soneto de Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."