Do que ainda nem começou mas já terminou
segunda-feira, 12 de julho de 2010 | Opine aqui

"So if you're crazy I don't care you amaze me"

Entramos os dois pela porta do carro e ficamos ali, à sós. Nada dissemos por um tempo até que houve aquela necessidade de quebrar o silêncio, até porque o mesmo já se tornava insuportável.
- Eu não sei o que fazer, estou severamente apaixonado por você – comecei dizendo.
Do outro lado se moveu, fez um gesto com a cabeça apontando para frente, mostrando um garoto e uma garota trocando beijos infinitos e cheios, cheios de amor. Enfim começou a falar:
- Sabe, eu sempre quis algo assim para mim, mas nunca vou conseguir, porque aquilo é muito normal para mim e eu não agüento ser normal, eu tenho que ser diferente todos os dias, senão eu acho que morro. Acho que é como um mecanismo dentro de mim que se parar de funcionar, para tudo isso que eu chamo de “eu” E é por isso que a gente não ia dar certo, sabe? Porque eu tenho essa mania de estar diferente todos os dias, sem exceções e você, eu sei, não agüentaria essa mudança toda todos os dias. Quer dizer, a gente podia ficar juntos uns dois ou três meses, mas aí você veria o que eu sou de verdade e ia fugir da aberração pela qual se “apaixonou”.
Chegou a fazer com as mãos as aspas em “apaixonou” e isso machucou, fazia parecer que não acreditava no que eu dizia. Mas pouco depois percebi que não era isto que queria dizer, queria dizer que eu não me apaixonei por alguém que realmente existisse, que eu me apaixonei pelo do fora, que era o que eu via todos os dias. Reuni a coragem necessária e voltei a falar:
- Se tu acha que a gente não vai mais do que dois ou três meses pelo menos me dá a chance de poder viver esse dois ou três meses contigo, prometo que vão ser os melhores da tua vida e da minha também, que vão ser o mais inesquecíveis possível. E se quiser que ninguém saiba, ninguém saberá, só te peço que me deixe ficar contigo por esse tempo. Que amor não se cura tão fácil assim.
- Você não consegue entender? – falou – Eu sou problema e dos grandes, eu não presto, é impossível até para mim me entender e tu vem me dizer que tu vai conseguir? Não vai, não. E só não fico contigo porque não quero que tu fique igual à mim, desse jeito complexado, quero que continue sendo essa pessoa que eu consegui amar só pelo que é e não por aparência e sei que se ficar comigo vai acabar pior que eu.
Comecei a chorar, chorar mesmo, o que eu tinha que ter mostrado meu amor? Estava crente que depois que contasse tudo eu receberia um abraço e um beijo e tudo seria sem fim. Mas neste mesmo instante eu recebia um abraço e um beijo que tinham cara de fim.
Saiu do carro e abanou, antes de fechar a porta disse que a gente se via por aí, mas nunca mais olhou na minha cara.
Mudou de escola, sumiu da minha vida e eu, criança que era, nem sabia o que fazer. Fiquei chorando semanas sem parar pelo que ninguém sabia. No fim fiquei igual, senão pior que aquela pessoa. Sem mentir. E agora parece que perder tudo aquilo que poderíamos ter passados juntos se foi em vão, que, na verdade tudo foi em vão na minha vida.
Até perder o amor.


Beijo bandido
sexta-feira, 9 de julho de 2010 | Opine aqui

"Um beijo bandido
Um verso perdido
Um sonho refém"


Procurarei por ela na multidão, procurarei por cachos negros e olhos verdes no meio de tudo. E não encontrarei, tenho certeza de que não encontrarei o que procuro, porque no meio daquela multidão acabarei por perder-me de mim mesmo.
E se por acaso ela me achar, espero ainda estar sóbrio para falar uma palavras românticas e lhe roubar um beijo, espero poder chegar bem perto do ouvido dela e dizer algo romântico que talvez só ela e eu entendamos, de um algo em comum que nós temos. E aí vai ser aquele beijo bandido que sempre quis dar, aquela coisa sem pé nem cabeça, aquele caos total do beijo roubado, daquele beijo que era para ser meu. Era para ser do próximo que a procurasse e não meu. (Na verdade, a maioria do que é ou foi meu não era para ter sido.)
E depois do beijo olharei bem fundo naqueles olhos verde e passarei minha mãos pelos cabelos negros, desejando que fossem infinitos para continuar passando e passando a mão por eles.
E então nos separaremos e sumiremos no meio da multidão para nunca mais nos encontrarmos ou talvez nos vermos e como velhos conhecidos dizer apenas um "olá" ou algo do gênero.
E nunca mais vai acontecer algo de tão bom em nossas vidas, algo de tão único e sempre (sempre) ficará aquela frustração de parecer que está faltando algo. E esse algo vai ser o nosso beijo que acontecerá do nada.E então nossas vidas se acabarão lembrando do beijo bandido e do caos que faríamos juntos. Serão mais duas vidas passadas em branco, no meio de tudo.
Só por causa de um beijo bandido


A felicidade
| Opine aqui

"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar"

Porque na verdade felicidade são os momentos que diferem e não os momentos iguais e repetidos, a felicidade está nas distrções, no esquecimento e não naquilo que vem sempre sendo lembrado e notado. A verdadeira felicidade é aquela que você sente quando vive e quando relembra.


Seja o que for
"Onde queres o ato, eu sou o espírito e onde queres ternura, eu sou tesão. Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo, sou mulher. Onde queres prazer, sou o que dói e onde queres tortura, mansidão. Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido, sou herói" Caetano

O blog
Para Jéssica,
porque "o que obviamente não presta
sempre me interessou".

Arquivo
Outubro 2008; Novembro 2008; Dezembro 2008; Janeiro 2009; Fevereiro 2009; Março 2009; Abril 2009; Maio 2009; Junho 2009; Julho 2009; Agosto 2009; Setembro 2009; Outubro 2009; Novembro 2009; Dezembro 2009; Janeiro 2010; Fevereiro 2010; Março 2010; Abril 2010; Maio 2010; Junho 2010; Julho 2010; Agosto 2010; Setembro 2010; Outubro 2010; Dezembro 2010; Março 2011; Abril 2011; Maio 2011; Junho 2011; Julho 2011; Agosto 2011; Outubro 2011; Novembro 2011; Março 2012; Maio 2012; Agosto 2012; Outubro 2012; Dezembro 2012; Abril 2013; Maio 2013;

Soneto de Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."