Vômito ou Caos
segunda-feira, 4 de outubro de 2010 | Opine aqui

"Num raio de lua
na esquina
no vento
ou no mar"

Quando ando na rua sempre me imagino nesse universo paralelo onde as crianças não são criança, são seres como eu ou os adolescentes ou as putas, que andam sem rumo, sem esperança de chegar à algum lugar, sempre fico com essas coisas na minha cabeça, como: balões cheios de fumaça de óleo diesel, pessoas embriagadas por todos os lados, enchendo a ruas de poças lamacentas, que insistimos em chamar de vômito, e jovens, jovens soltos por todos os lados, se amando feito canibais que se desejam mais que ardentemente e não sentem vergonha, essa é a rua na qual eu ando, cheia de um caos que nunca passará, pessoas ébrias que nunca deixarão de ser ébrias e um eu torto, esquisito, que fala consigo mesmo, que nunca deixará de ser eu, um eu que transita por todos esse caos e essa falta de vergonha sem medo de se contaminar, pois já esta contaminado por tudo isso que insistem em chamar de caos, ou vômito, agora já nem lembro mais, de tão ébrio, tão contaminado que estou por tudo isso que me cerca e me deixa, não como se eu fosse mais um na massa de transeuntes, mas como se eu fosse mais um na massa de loucura que se espalha por aqui sem piedade, sem remorso e que afeta até as velhinhas nas suas casa de idosos que ficam a relembrar a juventude que nunca existiu, porque lá não era nada se comprado à juventude de agora, cheia de bêbados, homossexuais e prostitutas com doenças venéreas, não, não havia metade do que há em nós agora, só havia aquela coisa de gente sérias, que se ama de verdade e isso não há mais, aqui só há o que insistimos em chamar de vômito, o que insistimos em chamar de caos, ou seja, lá que merda for, só sei que eu faço parte de tudo isso e sinto nas minhas entranhas o álcool misturado ao sangue subindo pelas minhas veias até chegar ao cérebro e me deixar bem mais bêbado do que estava um segundo atrás, e fazer uma poça lamacenta que insistimos em chamar de vômito, que insistimos em chamar de caos, mas não é caos, se é caos, chamem a polícia, mas polícia não está mais aqui, chamem os guardas da rainha, mas agora a rainha é só mais uma na massa de loucos e não há guardas e não há governo, só há nós, os loucos, que insistimos em chamar de vômito, que insistimos em chamar de caos.


Seja o que for
"Onde queres o ato, eu sou o espírito e onde queres ternura, eu sou tesão. Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo, sou mulher. Onde queres prazer, sou o que dói e onde queres tortura, mansidão. Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido, sou herói" Caetano

O blog
Para Jéssica,
porque "o que obviamente não presta
sempre me interessou".

Arquivo
Outubro 2008; Novembro 2008; Dezembro 2008; Janeiro 2009; Fevereiro 2009; Março 2009; Abril 2009; Maio 2009; Junho 2009; Julho 2009; Agosto 2009; Setembro 2009; Outubro 2009; Novembro 2009; Dezembro 2009; Janeiro 2010; Fevereiro 2010; Março 2010; Abril 2010; Maio 2010; Junho 2010; Julho 2010; Agosto 2010; Setembro 2010; Outubro 2010; Dezembro 2010; Março 2011; Abril 2011; Maio 2011; Junho 2011; Julho 2011; Agosto 2011; Outubro 2011; Novembro 2011; Março 2012; Maio 2012; Agosto 2012; Outubro 2012; Dezembro 2012; Abril 2013; Maio 2013;

Soneto de Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."