Diálogo
sábado, 18 de abril de 2009 | Opine aqui
Pararam os dois em plena rua.
Assim, olhando um para o outro.
À sós.

- Diz que me ama?
- Pra que?
- Pra eu saber.
- Não
- Por quê?
- Porque não quero, não posso, não dá.
- Por quê?
- Porque é uma mentira.
- É?
- Sim.

Lágrimas brotavam no rosto da garota.
Ele olhava ereto para ela, seco.

- Por que você ainda me procura, então?
- Porque eu te quero, e vou aprender a te amar.
- Não vai, não.
- Por quê?
- Porque eu mudo.
- Eu aprendo a mudar também.
- Não aprende não.
- Aprendo sim. Eu prometo que vou te dar todo o amor que houver nessa vida.
- Vai?
- Sim, mas não agora.
- Será?
- Sim.

O sorriso que se esboçava agora na cara dos dois era de adois apaixonados.
Dois amantes.

- E então eu vou ler poemas de amor para você.
- E eu vou deitar em seu colo, e vamos ficar assim por horas à fio.
- Amando.
- Se amando.
- Quem sabe?
- Pois é.
- Será?
- Será.


Eco
segunda-feira, 13 de abril de 2009 | Opine aqui
Procurei seus olhos na escuridão, e só encontrei o travesseiro e a coberta estirados, ela já havia me deixado, sobre a cadeira onde havia deixado as roupas só havia uma carta. A li, reli, reli, reli. E nada encontrei, além de um fim, nem uma despedida. O que se acabou ali foi algo mais que um amor, foi algo mais que nós. Foi algo mais que o mundo. Meu mundo caiu.
Ela só deixara isso do nosso amor, um fim de noite e uma carta, nada mais, nada mai, nada mais. E eu, esperando encontrar romances, amores novos, vaguei pelas ruas da cidade, a cidade que quase deserta me fitava. Eu sentia seus olhos sobre mim e ficava chorando em becos escuros. Sentia pancadas, socos, mortes infinitas dentro de mim. E suportava. Suportava. Suportava.
Como suportei a perder, mas quando acabar a grande depressão, nós seremos felizes denovo, nós vamos sorrir, amar, rodar, rodar, rodar.
Nós vamos sair pela cidade, de mãos dadas e amar, amar loucamente. Eu a verei sair de casa rindo, segurando minha mão, uma nesga de cabeleira negra sobre o ombro. Amável, amável, amável. Amei.
E ela vai olhar para mim e sorrir, e eu vou sorrir também, e dar-lhe um beijo, infinito, infindado, infinifito, infinito. As tarde serão infinitas, infinitas, infinitas. E nós vamos nos amar verbalmente, vamos amar loucamente, e vamos nos destratar e nos odiar, e vamos querer cada vez mais.
Mas tudo isso não passa de uma ilusão, continuo vagando pelas ruas da cidade quase deserta, e a cidade continua a me fitar. E eu continuo chorando em becos escuros, escuros, escuros. Como um ciclo eu volto toda noite para a casa esperando te encontrar, mas só encontro o bilhete, que já vai assim meio amassado, rasgado, amarelado.
E agora vejo que não vai mais voltar, e tudo que eu fantasiei na rua não foi nada, nada, nada, não passou de uma mera ilusão. Ilusão. Ilusão.
E todas as noites isso se repete como um eco, eco, eco. Eco.


Pelo Telefone
sábado, 4 de abril de 2009 | Opine aqui

E assim vou indo, com forças pra lutar, por te amar demais. E vai-não-vai, já-já estou aí. Em algum dias eu saio daqui, em alguns dias vou te ligar, e você vai atender, e vai dizer alô, e eu vou responder, e você vai querer saber quem é e eu vou dizer quem sou, e eu vou relembrar toda a nossa história, e você vai chorar ao telefone, e eu também, e você vai sussurrar baixinho que ainda me quer, e eu vou dizer que eu também te quero, do meu lado, e você vai dizer que ainda me ama, e eu também vou dizer que te amo. E nós vamos nos encontrar e nos abraçar e nos beijar e nos amar por dias inteiros, e sumir, nós vamos ser felizes, felizes para sempre, meu bem. Nós vamos sorrir novamente.



Seja o que for
"Onde queres o ato, eu sou o espírito e onde queres ternura, eu sou tesão. Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo, sou mulher. Onde queres prazer, sou o que dói e onde queres tortura, mansidão. Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido, sou herói" Caetano

O blog
Para Jéssica,
porque "o que obviamente não presta
sempre me interessou".

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Soneto de Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."